Era um dia chuvoso, uma quinta-feira de setembro de 1995. Choveu naquele dia, de praxe, o treinador encerrou o treino cedo, mas permitiu que nós continuássemos jogando bola. Eu estava indo embora, mas fui ao vestiário, tirar a sujeira do tênis e resenhar com os moleques, mas só havia um, um ano mais velho, tomando banho. Enquanto ele tomava banho, nós conversávamos, e daí veio a proposta...
Ele me pediu que eu chupasse seu pau. Curiosidade era grande, mas o garoto era atraente, morava em uma favela perto dalí. Eu tinha apenas treze anos e eu começava a conhecer o mundo do sexo, por conversas com colegas, revistas de sacanagem, conhecia a masturbação, o prazer sexual e o primeiro orgasmo havia tido em uma noite de carnaval, meses antes. Eu não sabia bem o que queria, mas eu tinha algo em mente de experimentar, que sabedoria era a arte de experimentar (depois de um tempo eu saberia que não era bem assim), e resolvi topar. Me abaixei e eu abocanhei aquilo. Como não sabia o que fazer, eu levei ao pé da letra, mas nem tudo foram flores naquela tarde...
Fomos surpreendidos. Naquele ato, um colega meu de treino e da escola entrou no vestiário, e me pegou no flagra. Passou um baita sermão, falando que eu deveria ter experimentado uma mulher antes para fazer isso. Ao cara, surpreendentemente não disse nada. Um baita machismo desde a puberdade. A atividade parou alí. O colega meu se foi, mas o que me fez a proposta ficou e me propôs a ir a um outro lugar para terminar o que começamos.
O problema é que colocou um outro garoto no circuito para ir junto para um local próximo, atrás de uma biblioteca. Daí rolou mais um pouco de pegada. Eu o chupei como se devia, ele quase me comeu, e o garotinho que não devia ter uns 10 anos queria brincar também. Queria que eu chupasse ele também, mas eu não quis. Não tinha os requisitos anatômicos para ser considerado atraente para o sexo. Enquanto isso eu me masturbava e finalmente gozamos. Pela primeira vez senti o gosto amargo da porra alheia.
Voltei para casa, com um sentimento paradoxal. Sentia o regozijo da experiência, mas o arrependimento da imoralidade que havia praticado. Estranhamente eu fui para casa e me masturbei pensando no que fiz. Senti prazer, mas com peso na consciência. Eu realmente não sabia o que sentia, mas o entendimento que recebi das pessoas era que ser gay era errado, era uma aberração. E esse peso carreguei resignado por muito tempo.
Aquela expreiência trouxe também o que é a dor do preconceito. Fui surpreendido novamente pois o cara que me flagrou contou aos meus colegas e a notícia se espalhou. Perguntaram a mim e desmenti, mas o cara jogo na minha cara: "Eu vi o que você fez!". Tive que encobrir a verdade com uma série de mentiras. Primeiro que era mentira, depois que fui forçado a fazer. Mas eu sentia um desejo, e este desejo tinha que colocar para fora de alguma forma.
Foi minha primeira experiência sexual. Um sexo oral em um vestiário de campo de futebol. Outras histórias vieram, inclusive com futebol. E vou contar a vocês.
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